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Nota pessoal: Por que a neuropsicologia?

Entenda por que uma avaliação neuropsicológica é fundamental para evitar diagnósticos errados e como a sensibilidade clínica transforma o tratamento

08 de março de 2026 4 min de leitura
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Nota pessoal: Por que a neuropsicologia?

O interesse pela neuropsicologia surgiu de uma experiência pessoal: atender pacientes de quem eu suspeitava de diagnósticos que não eram feitos da forma correta, completa e cuidadosa. Pacientes diagnosticados de forma errônea muitas vezes chegavam ao meu consultório buscando soluções terapêuticas que, no caso, eram inexistentes, pois as dificuldades daquele paciente haviam sido apontadas para ele de forma errada, criando crenças e comportamentos que tomavam como base um diagnóstico que, na verdade, deveria ser outro.

Na clínica, às vezes nos deparamos com histórias que nos lembram o quanto um diagnóstico precisa ser construído com cuidado, tempo, escuta e rigor técnico.

Imagine um paciente que chega ao consultório já com um laudo de TDAH em mãos. Ele passou por uma avaliação rápida, com alguns testes aplicados e um relatório que apontava:

  • Dificuldades de atenção;

  • Esquecimentos frequentes;

  • Sensação constante de mente “acelerada”.

À primeira vista, os sintomas realmente poderiam parecer compatíveis com TDAH e ele mesmo já poderia ter se apropriado dessa explicação para sua história e buscar reorganizar a vida a partir dela, muitas vezes até mesmo utilizando medicações.

Mas, e se, ao longo do acompanhamento, a dificuldade de concentração não aparecer de forma estável? E se a desatenção piora muito em momentos de preocupação intensa, mas não se apresenta em momentos de calmaria? Em vários relatos clínicos durante o processo avaliativo, surge uma mente tomada por antecipações, pensamentos repetitivos e um estado constante de alerta, ou uma atenção que oscila principalmente quando o paciente se mostra mais tenso ou inseguro com o próprio desempenho;

E se, durante uma boa anamnese, identificamos que esse paciente na verdade não passou por essas dificuldades na infância e/ou adolescência, como se espera de um transtorno do neurodesenvolvimento? E se, durante entrevistas clínicas, fica mais evidente que o centro do sofrimento não era exatamente uma desatenção persistente ao longo da vida, como esperamos ver no TDAH, e sim uma mente inquieta pela preocupação: pensamentos que não paravam, dificuldade de relaxar, medo constante de errar e uma autocobrança muito elevada?

A atenção, nesse caso, não estava “deficitária” da forma como ocorre em um transtorno do neurodesenvolvimento: ela estava sobrecarregada pela ansiedade.

Esse tipo de situação ilustra um ponto importante: dificuldades de atenção não pertencem exclusivamente ao TDAH. Ansiedade, depressão, estresse crônico, privação de sono e muitos outros fatores podem produzir efeitos cognitivos semelhantes e uma avaliação realizada “de qualquer jeito” pode gerar um diagnóstico confuso, produzindo na vida daquele paciente mais malefícios do que ele já enfrentava.

O que define uma Avaliação Neuropsicológica de qualidade

Uma avaliação neuropsicológica cuidadosa não se limita aos resultados de testes. Ela é um processo de investigação profundo que integra:

  • História de vida: O contexto em que os sintomas se manifestam.

  • Observação clínica: O comportamento do paciente durante as sessões.

  • Contexto emocional: Como o afeto influencia o desempenho cognitivo.

  • Padrões de funcionamento: Como a pessoa lida com desafios ao longo do tempo.

Ter acesso a laudos de avaliação neuropsicológica feitos de forma nada cuidadosa e os efeitos desse erro na vida dos pacientes era algo que me causava revolta. Senti necessidade de fazer algo sobre isso e comecei, de forma autônoma, a estudar sobre psicodiagnóstico e neuropsicologia... quanto mais estudava, mais me apaixonava pela área, até que tomei a decisão de iniciar mais uma pós graduação. Hoje, mesmo após anos de formação e atuação em avaliação neuropsicológica, permaneço estudando e me atualizando de forma contínua, tanto por interesse próprio quanto por necessidade: a neuropsicologia é uma área em constante crescimento e manter-se atualizada é imprescindível.

Considerações sobre uma avaliação de qualidade

Quando um diagnóstico é feito de forma apressada, corre-se o risco de tratar o problema errado — e isso pode prolongar o sofrimento da pessoa. Por outro lado, quando conseguimos compreender com mais precisão o que realmente está acontecendo, abre-se a possibilidade de intervenções muito mais adequadas e efetivas.

No fim das contas, um diagnóstico não deveria ser apenas um rótulo. Ele deveria ser, acima de tudo, uma forma de compreender melhor a experiência de alguém. E isso exige algo que nenhum teste sozinho consegue oferecer: tempo, escuta e sensibilidade clínica.

Se você se sente perdido em meio a sintomas ou recebeu um diagnóstico que não parece fazer sentido com a sua história, saiba que uma investigação cuidadosa pode mudar o rumo do seu bem-estar. Agendar uma avaliação neuropsicológica é investir em clareza e em um plano de cuidado desenhado especificamente para você.

Agende uma sessão ou entre em contato pelo WhatsApp para tirar suas dúvidas sobre o processo de avaliação. Vamos buscar, juntos, as respostas que você precisa com o rigor e a sensibilidade que sua trajetória merece.

Stephanie Cristina

Autora

Stephanie Cristina

Psicóloga e Neuropsicóloga. Conteúdos orientados por escuta clínica, responsabilidade ética e linguagem acessível para ampliar compreensão sobre saúde mental.

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